quinta-feira, 19 de março de 2009

Goticismo: Fico só ou em grupo?

Existem duas formas de goticismo: a individual ou a forma grupal.

Na primeira através do isolamento, já que o gótico é normalmente um pesquisador que se encanta com os mistérios da vida, geralmente muito sensível, pouco comunicativo, é um incompreendido e desta forma fica no seu mundo naturalmente isolado de uma vida colorida e materialmente consumista ( já que estes valores não o atraem ). Os membros da família onde “o gótico nasceu”, são os que geralmente não aceitam o comportamento de um filho ou filha góticos, na medida em que os consideram psicóticos. Entretanto desajustamentos psicológicos são raros, pois a auto-mutilação e o suicídio também estão presentes entre indivíduos não góticos. Nem todo gótico é suicida, alcoólatra, masoquista dentre outras tendências destrutivas. A maioria dos góticos gosta da vida e absorve intensamente tudo o que a cerca; entretanto, discorda da indiferença e impessoalidade existentes nomeio social. Daí ser comum construir seu universo dentro do quarto.

A forma grupal, vem da associação de indivíduos de postura visualmente gótica, cujos pensamentos encontram alguma identidade entre seus componentes, e a esses grupos denominamos, modernamente, como tribo. A convivência gótica permite o rompimento deste caráter naturalmente intimista do ser gótico que busca o isolamento, pois ao encontrar seus iguais, o ser manifesta as suas características interiores para os demais membros da tribo e assim ganha expressão exterior mais rapidamente, na medida em que a repreensão ou discriminação é vetada por góticos. À propósito, essa característica herdaram do movimento dark, na tendência por detestar padrões de conduta que adotem cerceamento da liberdade do pensar.

Goticismo Tradicional e Neogoticismo:

O Goticismo Tradicional é muito mais uma forma de ver o mundo e interpretá-lo ante a sua sensibilidade. Álvarez de Azevedo, Goethe, Edgar Alan Poe, Augusto dos Anjos, Clarice Lispector dentre outros escritores deixaram bem claro a postura gótica de ver a vida. O pensar, o refletir a cerca do mundo exterior em contra-posição aos sentimentos próprios dão a tônica deste tipo, que era gótico muito mais por uma questão mental do que por uma demonstração externa e visual.

O Neogoticismo, prima pelo que chamam de surrealismo, ou seja, o indivíduo se traveste de características que visualmente o identificam como gótico, utilizando roupas, calçados, jóias e bijuterias que trazem em sua essência o visível da subcultura. Os neogóticos utilizam o branco, o lilás, o vermelho, azul marinho, porque não há a obrigatoriedade do preto total. Alguns adotaram uma postura parcialmente punk, com mechas rosa ou vermelhas, utilizando piercing e metais em abundância como os adeptos do heavy metal. E isso em nada altera a postura. Ser gótico é antes de tudo, possuir um estado de espírito altamente observador e possuir uma atitude de repúdio diante da futilidade.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Gótico (estilo de vida)

Gótico (estilo de vida)-Trajetória sécs. XX & XXI

A subcultura gótica (chamada de Dark no início dos anos oitenta no Brasil) é uma subcultura contemporânea presente em muitos países. Teve início no Reino Unido durante o final da década de 1970 e início da década de 1980, derivado também do gênero pós-punk. A subcultura gótica abrange um estilo de vida, estando a ela associados, principalmente, gostos musicais dos anos 80 até o presente (darkwave/gothic rock, death rock, trip hop, ebm, synthpop, indie, industrial, etc.), estética (visual, "moda", vestuário, etc) com maquiagem e penteados alternativos (cabelos coloridos, desfiados, desarrumados) e uma certa "bagagem" filosófica. A música se volta para temas que glamourizam a decadência, o niilismo, o hedonismo e o lado sombrio. A estética sombria traduz-se em vários estilos de vestuário, desde death rock, punk, andrógino, renascentista e vitoriano, ou combinações dos anteriores, essencialmente baseados no negro, muitas vezes com adições coloridas e cheias de acessórios baseadas em filmes futuristas no caso dos cyber goths.

Subcultura

Foi taxada do "movimento cultural" devido ao princípio de que tal visão e comportamento são um protesto acerca da ambientação dada na época em que se iniciou, isto é, uma alienação que afirmava uma evolução e liberdade que, em verdade, eram insuficientes (ou até inverossímeis), e contra a qual a descrença deveria ser usada como denúncia. Apesar de simplista, esta explicação define o pensamento ideal da maioria dos que afirmam pertencer a este grupo. De qualquer modo, o mundo não parece ter mudado muito, e a subcultura continuou a evoluir cada vez mais podendo basear-se ainda nesse formato.

Mas quanto ao fato de seus integrantes usarem o termo subcultura, ao invés de cultura, para designá-lo, é dada a explicação de que esse estilo é uma invenção (não também uma reinvenção), não uma renovação, ou seja, ele se criou firmado em várias raízes paralelas e não visa renovar a cultura de massa, nem, tampouco, se opor a esta (isso seria ainda uma contracultura, não uma renovação). Sendo assim, o estilo gótico do qual estamos falando pode ser tomado como algo anexo do que todos pensam, já que não é uma evolução da cultura original, nem mesmo evolução de qualquer coisa outrora nomeada sobre o mesmo termo.


O termo gótico na subcultura

O termo gótico (do alemão: goth ou inglês gothic) foi usado através dos séculos sob vários significados, às vezes sem ligação alguma. Em algum momento histórico ele pode ter designado certo povo bárbaro que veio a invadir o império romano, mas não devemos nos apegar a isso para não confundir o leitor, pois com o passar do tempo, o termo ganhou significados diferentes. A palavra agrega sentidos que lembram: vitoriano, medieval, onírico, sombrio, assustador, fastamagórico, macabro, amedrontador, etc.

O uso do termo 'gótico', desvinculado de seu significado original, surgiu quase que irônicamente, no início da década de 80. A mídia de massa ao entrevistar integrantes das diversas bandas relacionadas à subcultura que começava a surgir, como seria classificada a atmosfera de suas músicas, por vezes recebia respostas semelhantes a: 'de temática sombria e soturna, 'gótica. Na metade da década de 80 o estilo já havia se disseminado por vários outros países (incluindo o Brasil) e o termo acabou por ir junto com ele e até hoje é usado para denominar a subcultura.

Texto original de Shadow's Angel e retirado da Wikipédia.
http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%B3tico_(estilo_de_vida)


Ankh


Conhecida como Ankh, Aankh ou Cruz Ansata, consiste numa cruz com alça sendo um dos símbolos mais importantes encontrados nos templos do Egito Antigo, gravada nas colunas dos templos de Karnak, Edfu, Hatshepsut, Medinet Habu e em outras construções dinásticas, bem como em obeliscos e nas paredes de túmulos. Cenas pintadas em paredes destes e outros templos e túmulos, bem como, em papiros apresentam um deus estendendo a ankh ao faraó. Um exemplo disso está no túmulo de Amenhotep II onde vemos a ankh sendo-lhe entregue por Osíris.

O significado original do símbolo foi perdido com o passar do tempo, mas ele manteve um emblema hieroglífico constante da vida. A Ankh era usada em rituais, especialmente nos que envolviam cultos reais, e ela tinha significado especial quando era usada em várias cerimônias nos templos. Em sua forma, na parte vertical superior, acima dos braços da cruz, há uma associação ao cristianismo, nesse detalhe da cruz egípcia é ovalado ( na forma de uma alça ). Para os egípcios antigos isto significava vida e o símbolo, na verdade, é conhecido como a chave da vida.

A Cruz Ansata nas manifestações hieroglíficas é quase sempre associada a outra figura ou símbolo egípcio muito conhecido, que se encontra ao lado. Esta tem o mesmo tamanho do ankh e embora a parte inferior tenha a mesma largura, ela termina numa ponta na parte superior. Nesse caso, trata-se do hieróglifo ou sinal que, quando apresentado com o ankh, significa PARA SEMPRE. Juntos os dois símbolos demonstram VIDA ETERNA.

Por suas semelhanças com a Cruz Cristã, a Ankh chegou a ser assimilado pelos cristãos góticos. Entretanto, tornou-se proscrita e identificada com paganismo. Atualmente, ela é utilizada por ocultistas em geral e góticos.

Estilo Gótico - A História, expansão e expressões.

ESTILO GÓTICO - A HISTÓRIA:

O gótico designa uma fase da história da arte ocidental, identificável por características muito próprias de contexto social, político e religioso em conjugação com valores estéticos e filosóficos e que surge como resposta à austeridade do estilo românico.
Este movimento cultural e artístico desenvolve-se durante a Idade Média, no contexto do Renascimento do Século XII e prolonga-se até ao advento do Renascimento Italiano em Florença, quando a inspiração clássica quebra a linguagem artística até então difundida.

Os primeiros passos são dados a meados do século XII em França no campo da arquitectura (mais especificamente na construção de catedrais) e, acabando por abranger outras disciplinas estéticas, estende-se pela Europa até ao início do século XVI, já não apresentando então uma uniformidade geográfica.
A arquitectura, em comunhão com a religião, vai formar o eixo de maior relevo deste movimento e vai cunhar profundamente todo o desenvolvimento estético.

O TERMO:

Quando a nova estética se expande além das fronteiras francesas, a sua origem vai ser a base para a sua designação, art français, francigenum opus (trabalho francês) ou opus modernum (trabalho moderno). Mas vai ser só quando o Renascimento toma o lugar da linguagem anterior que os novos valores vão entrar em conflito com os ideais góticos e o termo actual nasce. Na Itália do século XVI , e sob a fascinação pela glória e cânones da antiguidade clássica, o termo gótico vai ser referido pela primeira vez por Giorgio Vasari, considerado o fundador da história da arte. Aos olhos deste autor e dos seus contemporâneos, a arte da Idade Média, especialmente no campo da arquitectura, é o oposto da perfeição, é o obscuro e o negativo, relacionando-a neste ponto com os Godos, povo que semeou a destruição na Roma antiga em 410. Vasari cria assim o termo gótico com fortes conotações pejorativas, designando um estilo somente digno de bárbaros e vândalos, mas que nada tem a ver com os antigos povos germânicos (visigodos e ostrogodos).

Somente alguns séculos mais tarde, durante o romantismo nas primeiras décadas do século XIX, vai ser valorizada a filosofia estética do gótico. A arte volta-se novamente para o passado, mas agora para o período misterioso e desconhecido da Idade Média. Goethe, também fascinado pela imponência das grandes catedrais góticas na Alemanha, vai acabar por ajudar ao impulso desta redescoberta da originalidade do período gótico, exprimindo as emoções que lhe são despertas ao admirar os gigantes edifícios de pedra.
Neste momento nasce o neogótico que define e expande o gosto pela utilização de elementos decorativos góticos e que reconhece pela primeira vez as diferenças artísticas que separam o estilo românico do gótico.

CONTEXTO E PRIMEIROS PASSOS:

Os séculos XI e XII são séculos de mudanças sociais, políticas e económicas que em muito vão fazer despoletar as necessidades de uma expressão artística mais adequada às novas premissas sociais.

O comércio está em expansão e a Flandres, como centro das grandes transacções comerciais, leva ao desenvolvimento das comunicações e rotas entre os diversos povos e reduz as distâncias entre si, facilitando não só o comércio de bens físicos, como também a troca de ideais estéticos entre os países. A economia prospera e nasce um novo mundo cosmopolita que se alimenta do turbilhão das cidades em crescimento e participa de um movimento intelectual em ascensão.
Paralelamente assiste-se ao crescimento do poder político representado pelo monarca e à solidificação do Estado unificado, poderosa entidade que vai aspirar a algo que lhe devolva a dignidade e a glória de outros tempos e que ajude a nação a apoiar a imagem do soberano .

A igreja, por seu lado, vai compreender que os fiéis se concentram nas cidades e vai deixar de estar tão ligada à comunidade monástica, virando-se agora para o projecto do que será o local por excelência do culto religioso, a catedral. Ao contrário da construção humilde e empírica do românico, a construção religiosa gótica abre portas a um espaço público de ensinamento da história bíblica, de grandiosidade, símbolo da glória de Deus e da igreja, símbolo do poder económico da burguesia, do estado e de todos os que financiaram a elevação do emblema citadino.

A FILOSOFIA DA LUZ E A ABADIA DE SAINT-DENIS:

O nascimento do estilo, mais que o seu desaparecimento, pode ser definido cronologicamente com clareza, nomeadamente no momento da reconstrução da abadia real de Saint-Denis sob orientação do abade Suger entre 1137 e 1144. Esta abadia beneditina situada nas proximidades de Paris, em França, vai ser o veículo utilizado à comunicação dos novos valores simbólicos: por um lado a dignificação da monarquia, por outro a glorificação da religião. Este empreendimento tem por objectivo apresentar o maior centro patriótico e espiritual de toda a França, ofuscando todas as outras igrejas de peregrinação, trazendo para si mais crentes e restabelecer a confiança entre a igreja e o seu rebanho.

Para materializar esta ideia várias fontes e influências terrenas vão ter de ser, no entanto, bem contabilizadas e fundidas. A cabeceira (zona este da igreja) vai ser emprestada das já existentes igrejas de peregrinação, com ábside, deambulatório e capelas radiantes, assim como a utilização do arco quebrado de influência normanda. A técnica construtiva dá também neste momento um avanço significativo contribuindo com a abóbada de nervuras (sobre cruzaria de ogivas) e que vai permitir uma maior dinâmica e flexibilidade de construção. O impulso destas abóbadas vai ser recebido por contrafortes no exterior do edifício, libertando o espaço interior e dotando-o de uma leveza extraordinária.

Mas mais que uma junção de elementos, o estilo gótico é afirmação de uma nova filosofia. A estrutura apresenta algo novo, uma harmonia e proporção inovadoras resultado de relações matemáticas, de ordens claras impregnadas de simbolismo. Suger, que é fortemente influenciado pela teologia de Pseudo-Dionísio, o Areopagita, aspira uma representação material da Jerusalém Celeste. A luz é a comunicação do divino, o sobrenatural, é o veículo real para a comunhão com o sagrado, através dela o homem comum pode admirar a glória de Deus e melhor aperceber-se da sua mortalidade e inferioridade. Fisicamente a luz vai ter um papel de importância crucial no interior da catedral, vai-se difundir através dos grandes vitrais numa áurea de misticismo e a sua carga simbólica vai ser reforçada pela acentuação do verticalismo. As paredes, agora libertas da sua função de apoio, expandem em altura e permitem a metamorfose do interior num espaço gracioso e etéreo.

O espaço é acessível ao homem comum, atrai-o de uma maneira palpável, que ele é capaz de assimilar e compreender, o templo torna-se o ponto de contacto com o divino, um livro de pedra iconográfico que ilustra e ensina os valores religiosos e que vai, a partir deste momento, continuar o aperfeiçoamento da mesma.


Original de Shadow's Angel.